O país sul-americano só é superado pela Suíça no índice Big Mac 2025, com cotação de US$ 7,37 que reflete a inflação em dólares e a supervalorização do peso argentino
A Argentina se posicionou como o país com o hambúrguer Big Mac mais caro de toda a América Latina e o segundo mais caro do mundo, de acordo com a última edição do Índice Big Mac da The Economist. Com preço de US$ 7,37 pelo câmbio oficial, o país sul-americano só é superado pela Suíça, onde o icônico produto McDonald's chega a US$ 7,99.
Os dados são particularmente impressionantes porque excedem não só os seus vizinhos regionais, como o Uruguai (6,78 dólares) ou o Brasil (4,49 dólares), mas também Brooklyn, Nova Iorque (6,89 dólares), uma das áreas mais caras dos Estados Unidos. O preço médio do Big Mac em solo norte-americano é de US$ 5,79, significativamente inferior ao preço argentino.
Este fenómeno revela um paradoxo económico: enquanto o governo de Javier Milei conseguiu reduzir a inflação anual ao seu nível mais baixo em oito anos, o peso argentino está sobrevalorizado cerca de 20% segundo o Índice Big Mac, o que afecta directamente a competitividade do país e o poder de compra real dos salários.
Segundo análise do The Economist, que mede preços desde 1986 para avaliar a paridade de poder de compra entre diferentes países, a Argentina apresenta números alarmantes. Quando o índice é ajustado pelo PIB per capita – considerando os diferentes níveis de renda e produtividade de cada economia – o peso argentino é a moeda mais sobrevalorizada do mundo, com uma diferença de 56,7% em relação ao dólar.
Os fatores por trás desse aumento de preço são múltiplos. O fortalecimento do peso, que se valorizou 40% entre dezembro de 2023 e outubro de 2024 segundo o Banco de Compensações Internacionais, gerou efeitos contraditórios: embora os salários em dólares tenham subido após atingirem um piso, os custos internos dispararam, afetando a competitividade da indústria argentina.
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O impacto no turismo é evidente. A chegada de visitantes internacionais caiu 19,2% em termos anuais em novembro de 2024, enquanto os argentinos aproveitam o “dólar passado” para viajar ao exterior. O Brasil registrou um boom no turismo argentino em janeiro de 2025, com 870.318 visitantes, 92% a mais que no mesmo mês do ano anterior.
No contexto regional, a lacuna é significativa. Enquanto no Chile o Big Mac custa 5 dólares, no Peru e no México os preços rondam valores ainda mais baixos, com moedas que segundo o índice estão desvalorizadas entre 20% e 30% face ao dólar, o que favorece a sua competitividade internacional.
O ministro da Economia, Luis Caputo, defendeu a valorização do peso, argumentando que permitir que a classe média argentina tenha acesso ao consumo no exterior “deveria ser normal”. Porém, os principais bancos de Wall Street preveem um ajuste cambial para 2025, com projeções de que o dólar oficial chegue a ARS 1.412,50 até o final do ano, o que representaria um aumento de 34%.
O Índice Big Mac, embora simplificado, consolidou-se como uma ferramenta eficaz para tornar visíveis distorções cambiais e problemas estruturais. Para a Argentina, estes dados confirmam que, para além dos progressos no controlo da inflação interna, a inflação em dólares continua a ser um desafio pendente que afecta tanto a competitividade das exportações como a atractividade turística do país.
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