Com duas localidades na capital e três anos de experiência, a marca busca continuar alcançando cada vez mais consumidores com uma proposta baseada em produtos artesanais e receitas altamente diferenciadas.
Num mercado gastronómico dominado por hambúrgueres e pizzas, a Chimi procura posicionar-se como pioneira num nicho quase inexplorado na Colômbia: as choripanerías. Com três anos de experiência, esta marca criada por Jairo García Vargas e Karina Morales Rodríguez mostrou que a especialização e a autenticidade são chaves para o sucesso na indústria alimentar.
A história da Chimi começou longe das cozinhas profissionais. Jairo García, engenheiro mecânico de profissão, trabalhou em produtos e vendas para empresas industriais, enquanto Karina Morales trabalhou em marketing e comunicação para empresas de manufatura. Contudo, ambos partilhavam uma paixão: a gastronomia.
“Sempre tivemos clareza de que queríamos fazer algo relacionado à alimentação, porque é isso que gostamos de fazer, ser anfitriões em casa, experimentar coisas diferentes”, explica Karina. O casal decidiu se preparar formalmente: ela estudou culinária básica na Academia Verde Oliva e ele se especializou em grelhados internacionais.
A busca pela especialização
Na hora de definir sua proposta gastronômica, Jairo e Karina tiveram claro um princípio fundamental: a especialização. “Desde o início queríamos que fosse facilmente administrável. Não podíamos fazer algo com 1.000 pratos, 1.000 especialidades. Queríamos poder nos diferenciar como especialistas e poder ser verdadeiramente um, não apenas um verso”, diz Jairo García.
Depois de analisar diversas opções como pizzas e hambúrgueres, o choripán surgiu como a alternativa perfeita. “Seríamos o número. O choripán, por outro lado, era um território quase virgem na Colômbia, apesar de suas raízes culturais em países como Argentina, Uruguai e Brasil.
“Quando começamos a procurar, há três anos, não encontramos nada. Você encontrou o choripán como entrada de uma churrascaria, mas como tal não havia choripanería especializada”, lembra Karina.
Produto artesanal, desenvolvimento próprio
O que distingue a Chimi não é apenas o seu conceito, mas a qualidade artesanal dos seus produtos. Os parceiros desenvolveram três tipos de chouriços próprios: bovino, suíno e suíno picante, um processo que levou meses de tentativa e erro.
“O desenvolvimento da fórmula, a mistura, o recheio, ver que começa a esquentar, que se desfaz, que se estraga, que se abre, que a tripa estoura… é tudo muito trabalho e aprendizado”, explica Jairo García.
O resultado são chouriços 100% de carne, sem conservantes ou aditivos artificiais. “Não tem adição de proteína de soja nem nada, só carne e gordura mesmo animal. O pão é artesanal e o chimichurri também é feito em casa”, destaca Karina.
Este compromisso com o artesanato teve um impacto positivo nos clientes. “Uma das coisas que mais nos dizem é que gostam de chouriço. Não faz mal, comem e não fica pesado nem nada”, diz Jairo com orgulho.
Inovação em sabores tropicalizados
O Chimi começou com três propostas básicas que variavam no sabor do chouriço. Porém, logo incorporaram coberturas que conquistaram o paladar colombiano: guacamole e abacaxi assado, combinações que você não encontraria em uma tradicional choripanería argentina.


“Não há um argentino que me tenha pedido com abacaxi, nem um, e muito menos com guacamole”, ri Jairo. “Mas os colombianos vão direto para lá. Eles adoram abacaxi e o contraste com o salgado e o gorduroso.”
Recentemente, a marca adicionou três novas opções: choripanes com páprica assada, cebola caramelizada e picles caseiros, este último também desenvolvido internamente.
Chapinero e Usaquén: dois mercados, duas realidades
A Chimi abriu seu primeiro ponto em Chapinero, na rua 7 com rua 40, em frente à Universidade Javeriana. “Chapinero é um bairro muito diversificado, tem gente aberta a viver uma experiência, a se divertir”, descreve Karina.
O ponto atingiu o equilíbrio financeiro após dois anos, validando o modelo de negócio. Em dezembro de 2024, abriram um segundo espaço em Usaquén, em uma comunidade gastronômica da região.
“Foi recomeçar do zero. É como se fosse mais um ponto da cidade onde é hora de dar a conhecer”, reconhece Jairo. Apesar do desafio, o ponto Usaquén deu sinais positivos e atingiu o ponto de equilíbrio após quase um ano de operação.
O desafio das casas
As plataformas de entrega têm sido uma bênção e um desafio para Chimi. “Conseguimos chegar a Cedritos, o que é incrível o que movimenta aquela área”, diz Jairo. A marca reporta impressionantes 60% de recompra entre clientes de aplicativos como Didi e Rappi.
No entanto, as comissões elevadas e a incapacidade de construir a sua própria base de dados levaram os parceiros a repensar a sua estratégia. “Em 2026 apostamos nas nossas próprias casas, porque as plataformas são muito complexas. O que importa para eles é vender mais para comissionar mais, mas é realmente muito difícil posicionar a sua marca”, afirma Jairo García.
Planos para 2026: consolidação antes da expansão
Ao contrário de muitas marcas de alimentos que buscam crescer rapidamente, a Chimi adotou uma abordagem mais conservadora e estratégica. “Não se trata de crescer por crescer. Isso pode facilmente nos levar a quebrar a marca”, alerta Jairo.
Para este ano, os parceiros têm prioridades claras: fortalecer a marca, implementar um programa de pontos para fidelizar os clientes e desenvolver uma operação própria de entrega ao domicílio. “Vamos começar com um programa de pontos porque também estamos em um setor onde o público gosta de novas experiências todos os dias. Mas como fidelizar?” diz Jairo.
“Queremos trabalhar a comunicação e a educação sobre o chouriço, sobre o choripán, sobre a cultura, sobre os valores da marca”, acrescenta Karina Morales.
Um nicho com potencial
Três anos após sua inauguração, Chimi confirmou que existe mercado para choribakerias especializadas na Colômbia. O seu público-alvo, principalmente a geração Z e os millennials, tem respondido positivamente à proposta.
“Nosso desafio é que as pessoas experimentem pela primeira vez. Haverá um percentual que dirá ‘não é o que procuro’, mas a maioria que entra com expectativa fica viciada no produto”, afirma Jairo García.
Com uma taxa de recompra de 60% e dois pontos operando no equilíbrio financeiro, a Chimi se prepara para um 2026 de consolidação, mantendo o compromisso com a qualidade artesanal e a especialização que a diferenciou desde o início.
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