sábado, março 7, 2026
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Empresários da Horeca alertam para efeito dominó do salário mínimo de 2026

As associações empresariais questionam o salário mínimo de 2026 devido ao seu impacto nos custos laborais, no emprego formal e na inflação nos setores de mão-de-obra intensiva.

A discussão sobre o salário mínimo para 2026 voltou a tensionar a relação entre o Governo e os principais sindicatos da hotelaria e restauração, que alertam para riscos estruturais para o emprego formal e a sustentabilidade dos negócios caso se consolide um aumento de dois dígitos. Asobares Colombia, Cotelco, Acodres e Acopi concordam que o debate não pode limitar-se ao rendimento nominal do trabalhador, mas sim ao impacto sistémico sobre milhares de empresas de mão-de-obra intensiva.

A Asobares Colômbia, que agrupa bares, gastrobares, restaurantes e estabelecimentos de entretenimento em 20 territórios, manifestou preocupação com um aumento que supera a inflação. O sindicato destaca que o setor chega a esta discussão após absorver custos mais elevados decorrentes da reforma trabalhista, do aumento do custo dos alimentos, serviços e insumos e de uma queda na renda que deteriorou as margens operacionais.

O âmbito económico do sector não é menor. Segundo Asobares, mais de 100 mil estabelecimentos e quase 1,68 milhão de empregos dependem diretamente dessa atividade. Um aumento do salário mínimo acima da inflação, alertam, teria um efeito dominó sobre as rendas, os transportes, os serviços públicos e os preços dos alimentos, transferindo as pressões inflacionistas para toda a cadeia de consumo.

Na perspetiva da União, o ajustamento para 2026 deverá corresponder ao nível da inflação anual, com o objetivo de proteger o poder de compra sem comprometer a viabilidade das MPME. “Nosso compromisso é avançar na formalização e na estabilidade do emprego, mas não é possível assumir aumentos desconectados da realidade econômica”, enfatiza Asobares.

Setores intensivos em mão de obra sob pressão

O setor hoteleiro partilha da preocupação. A Cotelco alertou que um aumento superior a 23% impacta diretamente a sua estrutura de custos, onde cerca de 70% do pessoal corresponde à componente operacional. A situação é agravada pela redução da jornada de trabalho, pelo aumento dos adicionais aos domingos e feriados e pelo alargamento do horário nocturno.

José Andrés Duarte, presidente executivo da Cotelco, lembrou que os hotéis funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana e já enfrentam uma pressão acumulada nos custos. Soma-se a isso fatores externos como as altas tarifas de energia, que a partir de janeiro de 2025 incorporam uma sobretaxa de 20%, e o aumento do gás, insumos críticos para a operação.

Números oficiais reforçam o alerta. A Cotelco salienta que o rendimento real do setor tem apresentado um comportamento negativo, segundo dados do DANE, o que limita a capacidade de absorver novos custos laborais sem afetar o emprego ou o investimento. Neste contexto, o sindicato alerta que o aumento poderá aprofundar a informalidade, contrariando o objetivo de melhorar a qualidade do emprego.

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Da gastronomia organizada, a Acodes focou no custo real do emprego formal. Em 2026, embora o salário mínimo e o auxílio-transporte totalizem quase 2 milhões de dólares por mês, o custo total por trabalhador ascende a 2.975.614 dólares, ou seja, um adicional de 44,79% em encargos e benefícios da segurança social.

Esse diferencial inclui contribuições para saúde, previdência, riscos ocupacionais, fundos de compensação, verbas rescisórias, juros, gratificações e férias. “O emprego formal não se mede apenas pelo salário”, insiste Acodres, que apela a um debate técnico baseado em números reais e no diálogo tripartido entre Estado, empresas e trabalhadores.

A posição da Acopi amplia o ângulo macroeconômico. O sindicato das micro, pequenas e médias empresas considera que o aumento decretado de 23,78% não é condizente com a produtividade da economia nem com a capacidade de pagamento do empresariado, composto em mais de 90% por MPME.

A Acopi alerta para efeitos concretos: redução ou congelamento de contratações, destruição do emprego formal, maior informalidade, terceirização e pressões inflacionárias pelo repasse de custos para os preços finais. Para ele, a decisão priorizou os critérios políticos em detrimento dos técnicos e enfraqueceu o espírito do acordo salarial.

A preocupação também é expressa nas operações diárias. O líder sindical Guillermo Gómez foi direto ao afirmar que “o Governo não decretou um aumento do salário mínimo, mas sim um aumento no encerramento de restaurantes”. Em 2025, lembrou, serão encerrados 2.100 pontos de venda, número que poderá disparar nas novas condições.

Para além dos números, os sindicatos concordam que o debate sobre o salário mínimo de 2026 revela uma tensão subjacente: como equilibrar a protecção do rendimento, a produtividade e a sustentabilidade empresarial numa economia com elevada informalidade. Sem uma visão abrangente, alertam, o risco é desgastar a base formal que financia o sistema.

Juntas, Asobares, Cotelco, Acodres e Acopi pedem a reabertura de uma conversa técnica e responsável que considere custos reais, produtividade e capacidade de negócios. Para os setores de serviços, o salário mínimo não é apenas uma variável social, mas um fator crítico que pode definir a sobrevivência de milhares de empresas e o futuro do emprego formal na Colômbia.


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