Matilde e Sara Cárdenas, irmãs e fundadoras de uma marca de geleia artesanal de Bogotá, ocupam a 43ª posição no ranking mundial TasteAtlas, tornando-se a única marca de geleia colombiana entre as 50 primeiras.
Eles descobriram por acaso. Matilde Cárdenas estava a pesquisar compotas noutras partes do mundo quando apareceu no ecrã uma lista que ela não esperava: o ranking mundial de compotas TasteAtlas. Foi buscar sua posição quase como um jogo, sem muita expectativa, e lá estava: o nome de sua empresa entre as melhores do mundo.
Foi assim que ela e sua irmã Sara Cárdenas descobriram que sua marca de geléias artesanais, fundada há quase 15 anos em Bogotá, ocupa a 43ª posição no ranking mundial, consolidando-se como a única marca colombiana no top 50. Ninguém os avisou. Ninguém os nomeou de forma coordenada. “Não tenho ideia de quem está se candidatando para nós. Não conhecemos nenhum jornalista ou pessoa da mídia que faça parte disso”, diz Sara.
Da cozinha da casa para o mundo
A história da empresa começou nas férias universitárias. A mãe sempre fazia geléias em casa e, quando Sara foi diagnosticada com hipoglicemia, começou a prepará-las sem açúcar e com frutose. Foi então que as irmãs se perguntaram por que na Colômbia não existiam geléias feitas com as frutas que as caracterizam como país.
“Eu falei para a Mati: vamos fazer geléias estranhas e vender”, diz Sara. Começaram a testar, misturar sabores, dar para amigos e conhecidos experimentarem. Poucos meses depois, com as carreiras de design industrial e design gráfico recém-lançadas, eles construíram a marca de forma quase intuitiva. Naquele Natal já tinham embalagens, caixas e as primeiras vendas entre familiares e amigos mais próximos.
Nos primeiros dois anos fizeram tudo em casa. Depois vieram as primeiras feiras de empreendedorismo, os primeiros pontos de venda, e com eles a necessidade de formalização. Em 2014, com fluxo de vendas estável e distribuidores interessados que não poderiam operar sem o registro INVIMA, tomaram a decisão que mudou tudo: endividar-se, obter alvarás sanitários e alugar uma planta de produção. “Era fazer certo ou parar”, lembra Sara. Eles fizeram isso bem.
Desde então a empresa não parou de crescer. Passaram de um espaço de 70 metros quadrados para um de 120 e depois para o atual, maior, para onde se mudaram em 2019. De fazer entre 20 a 25 compotas por semana na cozinha de casa, hoje produzem cerca de uma tonelada de compota por mês, com uma equipa de seis mulheres e processos totalmente artesanais em grandes potes de 10 litros.
26 sabores, uma Colômbia
O que distingue a marca no ranking não é apenas a qualidade dos seus processos, mas a riqueza das suas matérias-primas. Com 26 sabores de geléia que vão da graviola à groselha, passando pela ameixa, goiaba e laranja, a proposta é baseada na extraordinária diversidade de frutas do país.
Matilde aponta algo revelador sobre o porquê de ser precisamente a compota de pêssego que aparece em destaque no TasteAtlas, portal criado na Croácia com forte influência europeia: “Um europeu não tem muita forma de avaliar uma compota de graviola ou de groselha do cabo, bem como compará-la com alguma coisa. Mas uma compota de pêssego, bom, sim, muito fácil de comparar com outras compotas de pêssego que existem.” Um sabor conhecido, uma qualidade que fala por si.
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A empresa vende para hotéis, restaurantes, padarias e lojas de presentes, e desde o ano passado também em Alkosto e RappiTurbo. Seu site envia para toda a Colômbia e suas apresentações vão desde porções individuais até sacos de um quilo para a indústria. Para o setor horeca oferecem microlotes personalizados, adaptados em textura e sabor de acordo com a necessidade de cada cliente, sem exigir volumes mínimos impossíveis para pequenos negócios.
Exportar como resposta
Há quatro anos, um telefonema entre o Governo de Cundinamarca e a Câmara de Comércio Italiana abriu as portas ao seu primeiro cliente de exportação em Itália, um distribuidor de comércio justo com quem continuam a trabalhar e com quem as vendas crescem todos os anos. Hoje participam num programa da Procolombia para exportar para África, e foi precisamente no meio desse processo de pesquisa de mercado que Matilde topou com a listagem do TasteAtlas.
A aposta nas exportações não é apenas uma estratégia comercial, tem também uma leitura fundamental. O saudável imposto em vigor na Colômbia cobra 39% sobre os seus produtos, enquanto nenhum se aplica às exportações. “Podemos cobrar o mesmo preço de venda de alguém de fora, ou até um pouco menos, e ainda estamos ganhando quase 40% a mais”, explica Matilde.
Soma-se a isso a dificuldade de educar o consumidor colombiano num contexto onde os selos de advertência não são acompanhados de uma verdadeira pedagogia. “As pessoas veem uma geléia com um carimbo ao lado da outra e pensam que é exatamente igual”, diz Matilde. Suas geléias têm entre três e quatro ingredientes. Sem conservantes, sem aditivos, com açúcar como conservante natural. Mas o selo os equipara a produtos industriais que pouco têm a ver com isso.
Para as irmãs Cárdenas, aparecer no número 43 do TasteAtlas não é apenas um reconhecimento: é uma validação. “Estamos acima das marcas francesas que vendem aqui na Colômbia e que nem consideramos a nossa concorrência”, afirma Matilde. Sara resume claramente: “Na Colômbia tendemos a pensar que o que vem de fora é melhor. Isto é como mostrar que temos meios para competir com marcas que têm feito isso durante toda a vida em outros países”.
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