O aumento de 23% no salário mínimo enfrenta uma tempestade de ações judiciais. Analisamos se a justiça pode barrar o decreto e o que aconteceria com os custos.
Poucas vezes houve um clima de incerteza tão denso como o que respira hoje o setor gastronómico. O decreto que aumentou o salário mínimo para 2 milhões de dólares até 2026 não é apenas um número num pedaço de papel; É, para o dono da pizzaria do bairro e para o grupo de restaurantes de luxo, um terremoto de 23 graus na sua estrutura de custos.
A pergunta que circula entre os cafés e as diretorias é quase um apelo: é possível reverter esse aumento? A resposta curta é sim, legalmente é possível. A resposta longa, e a que realmente importa para o seu bolso, é que o caminho é pedregoso, lento e, infelizmente, não vai te ajudar a recuperar o dinheiro que já está sendo pago neste mês.
Leia também: Restaurante 1621, uma experiência gastronômica de classe mundial
O Governo de Gustavo Petro invocou o conceito de “salário digno” da OIT para justificar este salto. Porém, no direito administrativo, as boas intenções não substituem a técnica. Para que um decreto deste calibre seja legal, deve ser protegido por uma motivação técnica rigorosa que explique como foram ponderados a inflação, o PIB e, sobretudo, a produtividade.
É aqui que os advogados veem a falha. Se o Executivo não conseguir demonstrar com números claros porque é que 23% é o valor exacto e não 13% (que era o pedido dos trabalhadores), o Conselho de Estado poderia repetir a história de 2017. Nessa altura, o tribunal superior anulou o decreto de 2016 precisamente por falta de “motivação técnica”.
O precedente de 2017: um espelho para o setor gastronômico
No entanto, devemos ser realistas e humanos nesta análise. Para um dono de restaurante que hoje vê sua folha de pagamento disparar, uma decisão de nulidade que chega dentro de 14 ou 18 meses é um bálsamo que chega tarde. A justiça administrativa na Colômbia é um processo que leva tempo. E aqui reside o ponto chave: os efeitos de uma anulação não são retroativos.
Isto significa que, se pagar esses 2 milhões de dólares hoje e dentro de um ano o Conselho de Estado disser que o decreto era ilegal, esse dinheiro não retornará à sua caixa registadora. A segurança jurídica e os direitos adquiridos dos trabalhadores protegem o que já foi pago. O alívio seria apenas para o futuro, obrigando o Governo a editar um novo decreto com base técnica mais sólida.
No dia-a-dia de um restaurante, onde a margem de lucro é muitas vezes uma linha tênue entre o sucesso e o encerramento, esperar pela justiça parece uma eternidade. A proteção apresentada recentemente pelo ex-magistrado Alejandro Linares busca um atalho: uma medida provisória que suspenda imediatamente os efeitos do decreto. É uma aposta ousada, mas difícil de vencer face à presunção de legalidade dos atos do Estado.
Embora os tribunais decidam, o impacto na “economia das toalhas de mesa” é real. Muitos empresários enfrentam o paradoxo de quererem pagar melhor aos seus funcionários – a alma de qualquer serviço – e a impossibilidade de equilibrar o dinheiro sem aumentar os preços à la carte para níveis que afastem a sua clientela.
O tom do Governo tem sido desafiador, apelando à mobilização e defendendo que o custo para o produtor diminuiu. Mas qualquer empresário sabe que os custos dos factores de produção são apenas parte da história; A folha de pagamento e a previdência social são o verdadeiro peso que hoje afunda as micro e pequenas empresas (MPMEs) do setor.
O que nos resta então? Vigilância cidadã e sindical. Qualquer cidadão ou associação pode processar. O Banco da República, com os seus conceitos técnicos, será um actor silencioso mas poderoso neste julgamento. Se o Emitente alertar que este aumento viola as metas de inflação, o Conselho de Estado terá argumentos convincentes para agir.
Para você, empreendedor gastronômico, a recomendação é de prudência financeira. Não presuma que o aumento cairá amanhã. Ajuste a engenharia do seu cardápio, reveja seus processos de eficiência e, acima de tudo, fique de olho nos tribunais. A batalha pelo salário de 2026 está apenas começando nas arquibancadas.
A Revista Buen Gusto é a plataforma de informação empresarial para empresários e profissionais do setor HoReCa na Colômbia. Se você quiser ficar por dentro das últimas novidades, tendências, estratégias e dicas do setor, inscreva-se aqui Você também pode nos seguir em nosso canal Whatsapp
Talvez você esteja interessado
Quem apoia a gastronomia formal face à pressão que a sufoca?
Pedro Fernández e seu novo projeto, Terraza y Cava: “é o meu conceito mais íntimo”
O verbete O “salário digno” de 2026 é reversível?: O dilema jurídico que mantém os donos de restaurantes acordados à noite foi publicado pela primeira vez na Revista Buen Gusto.


