Da culinária à transformação do país: 12 empreendedores e chefs que estão redefinindo o setor
A Forbes Colômbia apresentou seu especial dos 137 líderes que estão atualizando o país, e entre eles se destaca uma significativa representação do setor gastronômico. Doze nomes que demonstram que a gastronomia colombiana não só nutre, mas transforma economias, gera empregos, projeta cultura e posiciona a Colômbia no mapa mundial.
Num ano em que só em Bucaramanga fecharam 45 restaurantes e quase dois mil estabelecimentos encerraram as suas operações em todo o país, estes líderes representam o contrapeso: a prova de que com visão, inovação e compromisso, o setor pode não só sobreviver, mas brilhar internacionalmente.
Aqueles que trazem a Colômbia para o mundo
Álvaro Clavijochef premiado como o melhor chef dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina em 2025, representa o que há de melhor na culinária colombiana. O seu reconhecimento não é apenas pessoal; É uma mensagem ao mundo de que a culinária colombiana merece estar nas conversas de maior prestígio da gastronomia global.
Juan Manuel Barrientos Conseguiu o que parecia impossível: a primeira estrela Michelin para a Colômbia. E não parou por aí. Já conta com quatro estrelas com a sua rede de restaurantes e levou o seu conceito ElCielo para Nova Iorque, onde o abriu com J Balvin, fundindo a gastronomia com a cultura pop e demonstrando que os limites estão apenas na imaginação.
Jaime Rodríguezfundador da Celele, elevou a fasquia ao tornar seu restaurante o único colombiano entre os 50 melhores restaurantes do mundo. Mas a sua conquista vai além do prestígio: foi premiado como Restaurante Sustentável de 2025, demonstrando que a excelência e a responsabilidade ambiental podem e devem andar de mãos dadas.
João Ruanochef do El Migrante, tem se destacado utilizando técnicas contemporâneas da culinária europeia para realçar os sabores da região sul e Pacífico do país, entregando um resultado de alta gastronomia que celebra a diversidade gastronômica colombiana sob uma perspectiva regional.
Aqueles que quebraram tetos de vidro
Vicky Costafundadora da Platillos Voladores, viu seu restaurante ser reconhecido pelo guia Fine Dining Table, vitrine que muitos chamam de “Guia Michelin para as novas gerações”. A sua proposta representa a nova onda de restaurantes que equilibram criatividade, técnica e acessibilidade.
Laura Hernándezfundador do La Sala de Laura, é reconhecido há quatro anos consecutivos como dono de um dos melhores bares do mundo. Em 2024 foi premiada como a melhor sommelier da América Latina, quebrando barreiras em um campo historicamente dominado por homens e elevando a cultura do vinho e dos coquetéis na Colômbia.
Beatriz Fernándezcofundador da Crepes & Waffles, transformou a empresa na maior rede de restaurantes do país. Mas o seu legado transcende os números: a empresa tem-se caracterizado pelo compromisso de trabalhar com mulheres e jovens, bem como pelo compromisso com a sustentabilidade, demonstrando que o sucesso empresarial e a responsabilidade social não são exclusivos.
Liliana Restrepocofundador e presidente da Frisby, liderou a transformação da empresa em uma gigante de entrega em domicílio e em uma rede em constante expansão. O seu reconhecimento surge num momento complexo para a marca, após o incidente viral em Ibagué, mas também sublinha a importância da liderança que não só constrói negócios, mas deve cultivar a cultura organizacional.
Nicolas Vasquezgerente geral do Grupo Takami, consolidou em 25 anos de atuação um império gastronômico de 18 marcas de restaurantes, duas lojas e 38 lojas, todas em Bogotá. O seu modelo demonstra que a expansão inteligente e a diversificação de conceitos são estratégias viáveis mesmo em mercados saturados.
Gustavo Villotadiretor do Café San Alberto, posicionou sua marca como um dos cafés mais premiados do país. Famoso por seu processo de seleção quíntuplo e originário de uma fazenda familiar em Quindío, o Café San Alberto representa o valor agregado que a Colômbia pode oferecer além da exportação de matérias-primas: exportar excelência processada.
Daniel Lozanofundador do Tejo La Embajada, se propôs a enaltecer o esporte indígena colombiano e ampliar sua prática no país, além de popularizá-lo mundialmente. Desde sua sede em Bogotá, transforma um jogo tradicional em uma experiência gastronômica e cultural completa, demonstrando que inovar também significa resgatar raízes.
Alejandro Escallóncriador de conteúdo e fundador do Grupo Gula, organizou eventos como o Cielo Abierto, que em sua primeira edição atraiu mais de 24 mil participantes. Ele representa a nova geração de empreendedores gastronômicos que entendem que o setor não se trata mais apenas de cozinhar bem, mas de criar experiências e comunidades memoráveis em torno da comida.
O que esses líderes têm em comum?
Para além das suas conquistas individuais, estes doze nomes partilham características que os tornam verdadeiros agentes de mudança:
Visão internacional com raízes locais: Todos projetam a Colômbia para o mundo, mas sem perder a ligação com o local, o regional, o autêntico. Eles não copiam tendências estrangeiras; Eles os adaptam ou ignoram para criar algo genuinamente colombiano.
Inovação constante: Eles não estão em conformidade com o que está estabelecido. Seja criando novos conceitos, introduzindo tecnologia nas casas, resgatando tradições esquecidas ou fundindo gastronomia com entretenimento, estes líderes entendem que inovar ou morrer não é um clichê, é uma realidade.
Leia também: Como evitar que um mau ambiente de trabalho se torne uma crise de marca para o seu restaurante
Sustentabilidade e responsabilidade: Vários destes reconhecimentos destacam compromissos com o ambiente, com a igualdade de género e com a geração de emprego digno. Eles entendem que o sucesso empresarial no século 21 não é medido apenas pelo volume de negócios, mas pelo impacto positivo.
Resiliência: Num ano em que milhares de restaurantes fecharam, estes líderes não só sobreviveram como brilharam. Sua capacidade de se adaptar, ler o mercado e se reinventar é o seu maior patrimônio.
A mensagem para a indústria
O reconhecimento da Forbes a estes doze líderes gastronómicos chega num momento crítico para o setor. Enquanto a Acodres relata encerramentos em massa e pede ao governo medidas de redução de impostos, estes nomes mostram que há caminhos para a prosperidade.
Não são caminhos fáceis. Conseguir uma estrela Michelin, entrar no The World’s 50 Best, ser reconhecido como o melhor chef da América Latina ou se tornar a maior rede de restaurantes do país exige anos de esforço, investimento inteligente, risco calculado e, acima de tudo, paixão inabalável.
Mas a lição é clara: o sector gastronómico colombiano não está em declínio. Está em transformação. Aqueles que sobreviverão e prosperarão não serão necessariamente os maiores ou mais tradicionais, mas sim aqueles que entendem que a gastronomia moderna é uma intersecção entre comida, cultura, experiência, sustentabilidade e comunidade.
A Forbes não está apenas comemorando conquistas passadas; está apontando para os líderes que devem guiar o setor adiante. E com esse reconhecimento vem a responsabilidade.
Estes doze nomes têm agora uma plataforma maior para influenciar o debate nacional sobre o setor da restauração. Têm a oportunidade de defender políticas públicas que apoiem a indústria, de partilhar as suas aprendizagens com empreendedores emergentes, de estabelecer padrões mais elevados em ambiente de trabalho, sustentabilidade e qualidade.
Num contexto onde o caso Frisby demonstrou como uma crise de cultura organizacional pode explodir publicamente, a liderança de figuras como Liliana Restrepo e Beatriz Fernández assume especial relevância. O reconhecimento da Forbes é um lembrete: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.
A gastronomia como motor económico
A inclusão destes doze líderes gastronômicos entre os 137 que estão “atualizando a Colômbia” não é coincidência. É o reconhecimento de que a gastronomia é muito mais do que restaurantes e cafés. É:
- Geração de emprego: Um dos setores que mais gera emprego no país, principalmente para mulheres e jovens
- Projeção cultural: A forma mais eficaz de mostrar ao mundo quem somos como país
- Motor turístico: Restaurantes reconhecidos internacionalmente atraem turismo gastronômico
- Inovação: Um laboratório de empreendedorismo, criatividade e novos modelos de negócios
- Coesão social: Espaços onde se constrói comunidade e se celebra a diversidade
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