Enquanto o Café OMA recebe a garantia para sua recuperação financeira, o pioneiro do hambúrguer na Colômbia enfrenta um limbo judicial que adia o pagamento de suas dívidas.
O panorama das marcas icônicas do grupo Mesoamérica na Colômbia apresenta um contraste operacional e jurídico definitivo neste abril de 2026. Após três anos de ter solicitado a entrada no regime de insolvência da Lei 1.116 de 2006, a Superintendência de Empresas confirmou o sucesso do acordo de recuperação do Café OMA. No entanto, o processo de Prestoa primeira rede a massificar o hambúrguer no mercado nacional, foi suspensa devido a uma medida provisória emitida pela Quinta Vara de Família de Medellín.
Esta suspensão responde a uma ação de proteção movida por um credor, que alega suposta violação do direito de petição. A decisão judicial interrompe a audiência para confirmação do acordo, impedindo a empresa de iniciar formalmente o cronograma de pagamento de seus passivos. O limbo jurídico acrescenta uma camada de complexidade a uma marca que, apesar das dívidas, mantém uma infraestrutura de 158 pontos de venda e gera mais de 700 empregos diretos.
Do ponto de vista histórico e de mercado, a situação da Presto é o reflexo de um pioneiro que enfrenta ciclos de inovação disruptiva. Nascida em 1981 com o apoio do Grupo Santo Domingo, a marca detém o título de “o primeiro hambúrguer” de um país onde o produto não era muito consumido. A sua estratégia inicial, centrada no “molho Presto” e na ligação ao lar através de figuras como o canguru Otto, permitiu-lhe dominar a categoria durante uma década.
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Porém, a análise do declínio comercial da marca identifica erros táticos diante da entrada de concorrentes. Enquanto o Presto se refugiava na fidelidade familiar e nas praças de alimentação dos centros comerciais, concorrentes como o El Corral conquistaram o nicho universitário e o McDonald's elevou os padrões operacionais globais após a sua chegada em 1995. O confinamento da marca às feiras alimentares limitou o seu impacto visual em comparação com os estabelecimentos independentes dos seus rivais.
Em 2012, a aquisição pelo fundo costarriquenho Mesoamérica injetou uma dinâmica de crescimento que parecia reverter a estagnação. Sob esta gestão, a rede aumentou a sua rede em 33% e aumentou a sua receita de 64 mil milhões de dólares para 139 mil milhões de dólares anuais. Em 2021, ao completar 40 anos, a Presto comercializou mais de 8 milhões de combos anualmente, mantendo-se como o terceiro player mais relevante do setor, introduzindo inclusive inovações como a linha de vegetais “Veggísimas” com a Beyond Meat.
Apesar destes indicadores de volume, a rentabilidade foi corroída por problemas estruturais e por uma “tempestade perfeita” macroeconómica. A inflação no custo de insumos básicos como carne e pão, aliada às altas taxas de juros e à queda do consumo das famílias em 2024, levou a uma deterioração do rendimento da sociedade. O modelo de negócio, altamente dependente do volume dos centros comerciais, tornou-se vulnerável ao aumento dos custos fixos e operacionais.
A entrada na Lei 1.116 foi proposta como instrumento de salvaguarda da unidade produtiva. Para um profissional do setor, o case Presto é uma lição sobre a importância da agilidade na gestão de passivos. Embora 76,3% dos credores da OMA já tenham validado uma via de pagamento, a falta de uma resolução substantiva na tutela da Presto impede a marca de normalizar as suas relações com fornecedores e arrendadores, que são intervenientes-chave na cadeia de abastecimento do sector alimentar.
A nível operacional, a marca tem procurado manter a sua relevância com mais de 15 lançamentos por ano e estratégias de grande impacto como a campanha “Presto 20K”. Contudo, a validade de uma marca de quatro décadas não se sustenta apenas pelo marketing num ambiente de recuperação judicial. A incerteza atual afeta a percepção de risco dos fornecedores, o que pode prejudicar ainda mais o fluxo de caixa necessário às operações diárias nas 24 cidades onde está presente.
O Superintendente de Empresas, Billy Escobar, reiterou que o objetivo destes processos é proteger o emprego e a estabilidade empresarial. No caso do Presto, a suspensão não implica uma liquidação imediata, mas adia a execução dos planos de eficiência que a empresa exige para competir num mercado onde as hamburguerias do tipo “smash” e as propostas de assinatura ganham rapidamente espaço.
Para empresários e tomadores de decisão do segmento de fast food, o resultado dessa tutela será um precedente importante. A capacidade da Presto de sair do limbo jurídico determinará se uma marca pioneira pode reinventar-se sob o peso das suas responsabilidades ou se o mercado de hambúrgueres na Colômbia encerrará definitivamente um capítulo na sua história fundadora.
A gestão da Mesoamérica enfrenta agora o desafio de resolver o conflito jurídico e, ao mesmo tempo, manter a consistência operacional em suas 158 localidades. O Súper Presto com queijo e bacon continua a ser o seu produto líder, mas a verdadeira “batalha” da marca hoje não se trava na cozinha, mas sim nos gabinetes judiciais. A confirmação do acordo da OMA é a luz no fim do túnel que Presto espera alcançar assim que a ação tutelar em Medellín for resolvida.
Concluindo, o Presto está em fase de resistência ativa. A sua infra-estrutura e o reconhecimento da marca continuam a ser activos de elevado valor, mas a viabilidade a longo prazo depende da confirmação judicial que lhe permita operar sem o peso da incerteza do crédito. O mercado colombiano HORECA acompanha de perto o destino da rede que ensinou o país a comer hambúrgueres.
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