O gestor da FLA alerta que o aumento de impostos vai disparar o preço do “guaro”.
As perspectivas para o sector das bebidas alcoólicas na Colômbia sofreram uma reviravolta dramática no início de 2026. Após a emissão do decreto governamental no âmbito da Emergência Económica, os alarmes dispararam nas principais lojas de bebidas do país. Não à toa: o impacto no bolso do consumidor não será um ajuste marginal, mas sim um salto disruptivo que redefine a competitividade da indústria nacional.
Esteban Maya Ramos, gerente da Fábrica de Licores de Antioquia (FLA), foi contundente ao analisar a magnitude desta carga tributária. Segundo o gestor, o aumento do preço final de uma bebida tão emblemática como a aguardente poderá chegar aos 48%. Esta percentagem não só representa um desafio logístico e comercial, mas também altera profundamente a estrutura de consumo em todos os estratos sociais.
A matemática por trás da medição é grosseira. Maya Ramos explica que, dependendo da linha de produtos e do teor alcoólico, o consumidor deve assumir aumentos entre 44% e 48%. Em termos práticos, uma garrafa de 750 ml de Aguardiente Antioqueño com tampa vermelha, que antes custava US$ 40 mil, agora custará US$ 60 mil. Um duro golpe na demanda por um dos produtos mais populares do mercado.
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Este cenário representa uma encruzilhada para as finanças departamentais. Historicamente, as receitas das bebidas alcoólicas têm sido a força motriz do investimento na saúde e na educação nas regiões. Porém, com as novas regras do jogo, os recursos parecem ter um destino diferente. O gestor da FLA alerta que o fluxo de capitais passará a ser direcionado para a Nação, inchando o que chama de burocracia que enfraquece a autonomia fiscal regional.
Do ponto de vista empresarial, a preocupação reside na elasticidade da procura. Se a FLA projectava um crescimento de 5% para este ano, este aumento de impostos coloca essa meta em terreno incerto. Se o volume de vendas do ano anterior se mantivesse – cerca de 73,2 milhões de unidades – a empresa teria de remeter quase 720 mil milhões de dólares à Nação apenas em impostos sobre o consumo.
Mas o risco não é apenas financeiro; É segurança e legalidade. Um aumento desta magnitude cria o terreno fértil perfeito para o mercado negro. À medida que o preço dos produtos legais dispara, o contrabando e as bebidas alcoólicas adulteradas ganham uma perigosa vantagem competitiva. Para o sector formal, competir com estruturas criminosas que não pagam impostos torna-se uma batalha difícil.
Neste contexto, a indústria está de olho no Palácio da Justiça. Há uma esperança jurídica: que o Tribunal Constitucional, ao estudar o mérito do decreto, emita uma medida cautelar. Isto permitiria que o mercado continuasse a operar sob a estrutura tributária anterior, evitando um choque inflacionário imediato que poderia deprimir irreversivelmente as vendas.
A análise de Maya Ramos também destaca uma desigualdade competitiva intrínseca. Embora o decreto afete todas as bebidas alcoólicas, as bebidas alcoólicas são as mais vulneráveis. Sendo tradicionalmente o produto mais competitivo em preço, qualquer aumento percentual é sentido com mais rigor no orçamento do consumidor regular, que normalmente é mais sensível às variações de custos.
Por outro lado, a cachaça também não foge a esta realidade, prevendo-se também um aumento superior a 48%. Este fenómeno obriga as lojas de bebidas regionais a repensar a sua estratégia de posicionamento. Como você mantém a fidelidade do cliente quando sua bebida favorita aumenta quase metade do seu valor durante a noite? A resposta ainda está em construção.
A tensão entre o governo central e as regiões é evidente. Enquanto o Executivo procura cobrir o défice fiscal através da Emergência Económica, as lojas de bebidas alcoólicas regionais sentem que a sua principal fonte de financiamento para projectos sociais lhes está a ser retirada. É uma batalha onde está em jogo a credibilidade das instituições face à percepção dos cidadãos.
Além disso, o componente humano do consumo não pode ser ignorado. O “guaro” faz parte do tecido social colombiano; Está presente nas celebrações e nos momentos do dia a dia. Transformar um produto de consumo de massa num produto de difícil acesso pode gerar uma agitação social que transcende o económico, afetando até a indústria do entretenimento e do turismo.
A operação da FLA, uma das empresas mais importantes de Antioquia, está agora sujeita a decisões judiciais e políticas. O objetivo de vender as mesmas unidades do ano passado parece hoje uma tarefa titânica sob o peso de uma carga fiscal que o gestor descreve como “imconsiderada”. O mercado, por enquanto, está observando com cautela.
Em suma, 2026 começa com uma transformação forçada para a indústria de destilados. A combinação de um IVA mais elevado e de um imposto sobre o consumo reforçado cria um cenário de incerteza onde apenas a eficiência operacional e uma possível intervenção judicial poderiam evitar um declínio vertiginoso do sector formal.
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