sábado, março 7, 2026
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Inundações em Córdoba ameaçam disparar ainda mais o preço da carne na Colômbia

A morte de mais de 3.100 bovinos e o impacto de quase 550 mil animais na região do Caribe colocam em risco a oferta pecuária num mercado que já acumula uma inflação anual de 11,73% neste produto.

As inundações que atingiram Córdoba e outros departamentos do Caribe colombiano não são apenas uma emergência humanitária e rural: têm potencial para se tornarem um fator determinante para o preço da carne durante 2026. Num contexto onde este alimento já regista um dos maiores aumentos na cesta familiar, a destruição de parte do rebanho pecuário nacional agrava um panorama que preocupa produtores e consumidores.

Segundo o balanço mais recente da Federação Colombiana de Pecuaristas (Fedegán), a emergência deixa 27.075 propriedades impactadas, 231.208 hectares afetados, 546.719 bovinos em risco e 3.166 animais mortos. José Félix Lafaurie, presidente executivo do sindicato, descreveu a gravidade da situação, destacando que em departamentos como Córdoba, Sucre, Bolívar e norte de Antioquia existem fazendas com até dois metros de água.

A magnitude dos danos é especialmente sensível porque Córdoba é um dos maiores contribuintes para o inventário bovino nacional, com mais de 2 milhões de cabeças num rebanho total próximo de 29 milhões, segundo dados do Instituto Agrícola Colombiano (ICA). A região do Caribe tem peso decisivo na oferta de gado para abate e na cadeia que liga os campos aos frigoríficos e supermercados de todo o país.

O problema não se limita aos animais mortos. Os quase 547 mil bovinos afetados enfrentam estresse hídrico, deficiência alimentar e maior exposição a doenças, que podem reduzir seu peso, retardar sua engorda ou retirá-los precocemente do ciclo produtivo. Soma-se a isso a destruição das pastagens: Fedegán alertou que assim que a umidade nos terrenos se estabilizar, “as pastagens terão desaparecido e será necessário começar do zero a preparação dos terrenos e o plantio das pastagens”, processo que pode levar pelo menos seis meses.

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Este choque de oferta ocorre no pior momento possível. Segundo dados do DANE, a carne bovina registrou variação anual de 11,73% em janeiro, mais que o dobro do IPC geral, com aumento mensal de 2,55% apenas no primeiro mês do ano. Nos supermercados, um quilo de carne para assar ou fritar hoje é vendido entre US$ 24.735 e US$ 29.900 dependendo da rede, valores que há um ano eram sensivelmente mais baixos.

Face à emergência, o governo nacional activou um pacote de apoio que mobiliza mais de 700 mil milhões de dólares, com medidas que incluem refinanciamento de empréstimos correntes, suspensão dos prazos do Incentivo à Capitalização Rural e prorrogações de até 180 dias através do Banco Agrário. Contudo, o sector alerta que o desafio não é apenas financeiro: se uma parte significativa da pecuária afectada não conseguir regressar ao ciclo produtivo, o impacto atingirá de forma mais evidente os preços pagos pelo consumidor final.

Os próximos meses serão fundamentais para determinar a profundidade dos danos. A velocidade de recuperação das pastagens, a evolução do inventário nas áreas afetadas e a real eficácia do alívio creditício definirão se as inundações continuarão a ser uma tragédia rural ou se traduzirão num novo golpe nos bolsos dos colombianos.


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