quinta-feira, abril 23, 2026
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A batalha legal escala para os tribunais europeus

Após a revogação das medidas cautelares em Alicante, a disputa entre a rede colombiana e a empresa espanhola entra numa fase de reconvenções milionárias.

A polémica que opõe a cadeia original Pereira à empresa Frisby Espanha tomou um rumo significativo após a recente decisão do Tribunal Provincial de Alicante. Este tribunal revogou as medidas cautelares que estavam a abrandar a operação europeia, permitindo à empresa espanhola retomar o seu plano de abertura de lojas em Madrid e Barcelona num período estimado de quatro a sete semanas.

A decisão judicial não representa um encerramento definitivo do litígio, mas sim uma mudança na dinâmica do poder processual. O tribunal baseou a sua decisão na falta de “presença significativa” da marca colombiana em território espanhol. Embora se reconheça que a marca é amplamente conhecida pelos mais de 850 mil colombianos residentes na península, o tribunal determinou que este setor populacional não constitui uma cota representativa do mercado geral para validar a exclusividade de um registro inativo desde 2005.

Diante deste panorama, a Frisby Colômbia foi enfática ao esclarecer que o processo subjacente por violação de direitos e concorrência desleal ainda está em vigor. A empresa rejeitou as alegações de vitória total da contraparte, qualificando a notificação de 27 de março de fase administrativa e processual. A organização mantém a defesa da validade da marca na União Europeia, argumentando que a identidade visual e o carácter icónico utilizado em Espanha constituem uma personificação óbvia.

Por outro lado, a estratégia da Frisby Espanha, liderada pelo seu representante legal Charles Dupont, passou da defesa à ofensiva económica. A Dupont anunciou a abertura de uma ação reconvencional contra a empresa colombiana, buscando indenização pelos prejuízos decorrentes das restrições legais que mantiveram sua operação paralisada. A reclamação ascende a 700.000 euros, divididos em 200.000 euros para lucros cessantes e mais 500.000 euros para indemnização por paralisação forçada.

Leia também: Frisby Espanha vence disputa de marca na Europa e exige indenização da Frisby Colômbia

A este valor soma-se uma reivindicação económica adicional: a cobrança do valor total dos lucros gerados entre maio e dezembro de 2025. Esta postura financeira agressiva procura punir o que a empresa espanhola considera uma obstrução à livre concorrência. Dupont sustenta que a manutenção de um registo de marca inativo durante duas décadas no Instituto de Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) não confere direitos perpétuos se não houver exploração comercial física no mercado geral.

O plano operacional da empresa espanhola inclui um roadmap ambicioso que contempla a abertura imediata de escritórios físicos e a implementação de cozinhas escondidas para entrega ao domicílio. Com uma contratação prevista de 100 colaboradores e uma base estimada de 1.100 clientes diários, a empresa procura consolidar a sua presença em Sevilha e Málaga depois de garantir as suas posições nos principais nós de Madrid e Barcelona. Esta implantação ocorre paralelamente a outras ações judiciais iniciadas pela mesma empresa contra gigantes como a KFC por supostas práticas anticompetitivas.

Do ponto de vista da estratégia da marca, os esforços recentes da Frisby Colombia para gerar notoriedade em Espanha – que incluíram passeios do personagem frango ao longo da Gran Vía e da Puerta de Alcalá – não conseguiram convencer os magistrados da sua atual relevância comercial. O tribunal considerou que estas ações publicitárias isoladas não equivalem ao uso eficaz da marca exigido pela regulamentação europeia para manter a proteção contra terceiros que demonstrem intenção de operar.

O conflito também escalou para o domínio da “má-fé” processual. Enquanto a rede colombiana acusa os espanhóis de se aproveitarem de um nome com quase 50 anos de história e prestígio na América Latina, os representantes europeus alegam que a empresa colombiana atua de forma obstrutiva. A resolução final desta acusação fica agora nas mãos do EUIPO, órgão que deve decidir sobre a nulidade da marca solicitada pelos espanhóis e a validade dos argumentos da empresa-mãe Pereira.

No setor gastronómico e hoteleiro, este caso é estudado como um precedente crítico sobre a territorialidade das marcas na era global. A lição para as multinacionais latinas é clara: o registo documental em jurisdições internacionais exige uma execução comercial palpável para evitar a vulnerabilidade jurídica. A protecção das marcas registadas na Europa exige uma quota de mercado que transcenda a diáspora e esteja inserida no consumo de massa da sociedade local.

A incerteza sobre quem acabará por deter o direito de explorar o nome “Frisby” afecta directamente os planos de expansão internacional da cadeia original. Se o EUIPO decidir a favor da anulação do registo por falta de utilização, a marca colombiana poderá ser forçada a mudar a sua identidade para entrar legalmente no mercado europeu ou, na sua falta, negociar uma licença com a empresa que atualmente a contesta nos tribunais de Alicante.

Enquanto o processo permanece aberto, a tensão entre as partes se reflete nas plataformas digitais e nas redes sociais, onde o consumidor observa uma duplicação de identidades visuais quase idênticas. Esta confusão de marcas é justamente um dos pontos centrais que os tribunais comerciais devem resolver para evitar danos ao consumidor final, que hoje se vê diante de duas propostas que reivindicam o mesmo patrimônio iconográfico.

O resultado desta batalha jurídica definirá o futuro de um dos nomes mais queridos da gastronomia colombiana no exterior. Por enquanto, o mercado espanhol prepara-se para receber o Frisby Chicken sob uma administração que, embora legalmente habilitada a abrir portas, ainda não demonstrou às organizações de propriedade intelectual que a sua origem e legitimidade comercial estão desligadas da história escrita na Colômbia desde 1977.


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